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Terça-feira, 1 de Julho de 2008

Mães coragem

"Mamã"

(Foto retirada da net)

 

 Pilar admirava aquelas mães ... muitas delas tinham perdido já vários filhos, uns vitimas da fome, outros de doenças, outros vítimas de balas disparadas ao acaso ... mesmo assim continuavam apesar de tudo a ter mais filhos, continuavam a ter esperança, lutavam todos os dias pela sobrevivência de cada um deles ... e apesar de tudo continuavam a sorrir, os seus olhos expressavam ternura ...  andavam kilometros e kilometros fugidas das suas aldeias, das suas casas para encontrarem um pouco de segurança nos campos de refugiados, muitas tinham deixado para trás os seus homens, os seus pertences, até os filhos mais velhos ... muitas tinham sido violados pelos inimigos, maltratadas ... e ali estavam ... corajosas ... olhando para o futuro ... como pode um coração de mãe e de mulher ser tão forte?

Pilar seguia como exemplo de vida essas mães coragem, quando se lamentava da sua vida, recordava-as e seguia em frente com um leve sorriso nos lábios!

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publicado por Ennoea às 15:30
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Sexta-feira, 20 de Junho de 2008

Lembranças do coração

  

 

(Foto retirada da net)

  

 

Aquela leitura incomodou Pilar, mas Isabella estava de rastos ... a paixão, o amor, a dádiva .... sabia o que era, pois já tinha vivido um

amor assim ... em que ele daria a vida por ela e ela a vida por ele, como se fossem apenas uma pessoa, como se as suas almas fossem apenas uma ...

Pilar olhou novamente para a amiga e perguntou-lhe:

"- Queres que te faça um chá?"

"- Não, deixa estar isto passa!" - respondeu Isabella, baixinho.

Naquele momento tudo vinha à memória de Isabella, como se uma arca que estava fechada há anos tivesse explodido e atirado tudo para fora. Gabriel ... o seu grande e único amor ... tinha nome de arcanjo ... era um homem culto, lindo, meigo, cavalheiro, romântico  ... dos poucos que existem ... namoraram cinco anos e tudo estava bem ... nunca falhará a um encontro, sempre disponível, amigo ... amante ...era a sua alma gêmea e a seu lado era a mulher mais feliz do mundo ...

Decidiram casar ... encontraram a casa dos seus sonhos à beira-mar, decoraram-na a seu gosto, planearam os filhos ... tudo estava perfeito ... e marcaram a data do casamento!

Ela sentia-se a princesa de um conto de fadas que ia finalmente ficar eternamente com o seu principe encantado e seriam felizes ... para sempre!

No dia 03 de Julho estava um dia lindo, quente de Verão e Isabella sonhava com a hora de trocar as promessas e os votos com o seu amado. De manhã, ele ligou-lhe a dizer:

" - Até já, Amor! "

À hora marcada, Isabella chegou à Igreja acompanhada por seu pai e familiares, notou no rosto dos convidados de Gabriel que algo se passava . Tinha saído com eles de casa no seu automóvel para vir para a igreja mas não tinha chegado ao seu destino. Isabella ficou em pânico, entrou na igreja, aproximou-se do altar e ajoelhou-se. Pedia a Deus, rezava, orava para que nada tivesse acontecido a Gabriel ...mas nada ... passou uma hora, passaram duas, passarm três ... e nada ... ligaram para os hospitais, para a polícia ... e nada ...

até hoje ... passados três anos ... nunca mais nada se soube de Gabriel ....

Uma lágrima rolou no rosto de Isabella ...

 

 

 

 

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publicado por Ennoea às 17:36
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Terça-feira, 17 de Junho de 2008

Semana atribulada ...

Two women

(Foto retirada da net)

 

Depois daquela leitura emocionante, tivemos ambas uma semana demasiado atribulada. Com uma profissão desgastante como a nossa, de muita responsabilidade e tensão quase nem tivemos tempo de respirar, com turnos desencontrados eu e a Isabella mal nos víamos ... quando ela saía eu entrava, quando ela entrava eu saía ... depois mais a hidroginástica, o cardiofitness e as aulas de canto ... uma correria ...  nem olhávamos para a tal caixa ... aliás para nós ela representava um tesouro ... como aqueles que se descobrem no fundo dos mares cheios de ouro, prata e pedras preciosas ... tínhamos, no entanto, feito uma pequena promessa ... ler as cartas juntas e essa promessa tinha de ser cumprida mesmo que a nossa curiosidade de mulher nos aguçasse o apetite ... promessa é para cumprir ... mas já tínhamos olhado para a escala e visto que no Domingo estaríamos as duas em casa ... e aí teríamos acesso a mais um dos segredos que essas cartas continham ...

 

publicado por Ennoea às 03:30
editado por Raquel em 16/06/2008 às 23:06
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Segunda-feira, 16 de Junho de 2008

Uma amizade especial

look at me......

(Foto retirada da net)

 

 

 

Eu e Isabella tínhamos ficado emocionadas com aquela carta, como estaria aquela mãe ao pensar que a filha a tinha ignorado, enquanto na verdade ela apenas a não tinha recebido. E a filha, a julgar que a mãe a tinha esquecido, realmente "Uma mãe nunca esquece", mesmo que tenha tido 10 ou 15 filhos. Nós não éramos mães, mas sabíamos as saudades que as nossas mães tinham de nós e as lembranças que assolavam as nossas almas quando recordávamos o aconchego das nossas mães, da nossas vila, dos nossos lares. Mas tínhamos crescido, ganho asas e voado para uma grande cidade para nos dedicarmos à nossa profissão, mas a verdade é que não estávamos sozinhas, tínhamo-nos uma à outra, éramos amigas, mais do que isso "irmãs", tínhamos jurado em crianças nunca nos separar como se fossemos irmãs de verdade e até à altura tínhamos cumprido o nosso pacto. Nada nem ninguém nos separava, bem tinham tentado desfazer a nossa amizade inventando mentiras e intrigas, mas nós conhecíamo-nos bem demais e sabíamos que a outra não faria nem diria aquilo. A verdade é que ainda dávamos uma boa gargalhada à conta de tanto disparate. Não sabiam que a nossa amizade estava escrita nas estrelas.

Abraçámo-nos e dissemos: "Tem uma boa noite, mana! Amanhã é dia de trabalho e temos os nossos doentinhos à espera!"

Isabella foi-se deitar e eu encaminhei-me para o meu quarto a pensar qual seria a sensação, o sentimento de ser mãe?

publicado por Ennoea às 08:58
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Sexta-feira, 13 de Junho de 2008

Uma mãe nunca esquece ...

 

 

 

Se eu fosse um dia o teu olhar..

(Foto retirada da net)

 

 Estava excitadíssima, a tremer, enquanto pegava em mais uma carta. A Pilar achou melhor ir fazer um chá para depois conseguirmos dormir, no dia seguinte era dia de trabalho.
No meio do embaraço, lá consegui abrir a carta, cheirava a rosas como se tivesse sido perfumada há instantes. Li baixinho numa voz meio rouca e cansada: 
  
 
 
"Minha doce Laura,
Hoje escrevo esta carta, na esperança que a leias até ao fim.
Sei que não fui um exemplo, a nossa relação nunca foi perfeita.
Não fui a melhor mãe do mundo, como escrevias nos postais da escola, que me oferecias no dia da Mãe, ou no meu aniversário, talvez o fizesses para me chamar a atenção, mas eu nunca o percebi.
Vivi ocupada com a minha vida profissional, queria ser a melhor, a primeira, esqueci-me que para ti poderia tê-lo sido, tu pedias tão pouco e mesmo assim, quase nada te dei.
Fui egoísta, só pensei em mim, na minha carreira, cresceste ao meu lado sem eu o perceber.
Hoje és mãe, não imaginas a minha felicidade ao ver que soubeste transformar os meus erros em lições, e escolher o caminho certo para ti.
Se pudesse mudava o passado, e decerto que o meu futuro seria bem diferente.
Assim basta-me saber que tu és a Mãe que eu nunca fui.
 
Sempre…. Tua mãe."

 

 

 

 

 

 

publicado por Raquel às 03:30
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Quinta-feira, 12 de Junho de 2008

A curiosidade ...

 

Joana

(Foto retirada da net)

Apesar de não conhecermos a quem pertencia aquela carta, tanto  Pilar como eu, sentimos um ligeiro aperto no coração.

Como teria reagido  a destinatária se a tivesse lido, tudo isto que lhe era revelado, deveria ser um passo para o abismo...

Por vezes, a vida é escrita de uma maneira, que aos nossos olhos mortais parece tão ridícula, mas o universo tem a sua maneira simples, e eficaz de resolver todas as situações.

 

- Vou dormir - esfreguei os olhos e apressei-me para o meu quarto.

- Até amanhã Isabella, não penses mais nas cartas, nem na caixa, pelo menos até amanhã.- ordenou Pilar.

- Combinado.

 

Apesar das palavras de Pilar, que ainda vieram mexer mais comigo, não consegui deixar de pensar nas cartas...

Dei voltas e voltas e o sono teimava em não chegar, tudo conspirava contra mim...

A curiosidade, a falta de sono, a ansiedade...

- Não consigo aguentar até amanhã, pensei, a Pilar vai-me matar..., levantei-me e fui para a sala, abri a caixa e tirei mais uma carta.

De súbito, ouvi um estalito, a porta do quarto de Pilar, abriu-se...

- Eu sabia...Não consegues resistir.

 

 

 

 

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publicado por Raquel às 15:59
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Quarta-feira, 11 de Junho de 2008

Até sempre ... perdoa-me!

 light on skin

(Foto retirada da net)

Naquela noite, apesar de estarmos cansadas das limpezas, eu e Isabella fervilhavámos cheias de curiosidade, não resistimos à tentação e abrimos uma das cartas. Comecei a ler em voz alta:

  

"Magda, 

Escrevo-te esta carta passados vários anos, sei que deves odiar-me muito pois sai de casa naquela noite para tomar café e comprar cigarros, mas nunca mais voltei ...

Abandonei-te a ti e aos nossos filhos, imagino como eles me odeiam, repugnam por tê-los abandonado; mas não aguentava mais a situação que estava vivendo, nem a dor que sentia só ao pensar que descobririas toda a verdade e a vergonha que sentirias ... era um fardo demasiado pesado que iria colocar nos teus ombros, nem a vergonha que os nossos filhos sentiriam ao saberem tal verdade ... por isso, decidi partir sem despedidas, sem discussões nem justificações ...

Não conseguiria olhar para os teus olhos e ver-te chorar ao saberes que te tinha trocado por outra pessoa ... não Magda, não te trai com outra mulher, apaixonei-me por um homem ... sim, como poderia dizer-te que partilhavas o meu corpo com outro homem, que o meu amor não era teu, que a minha alma não era tua mas dele!

Sei que não entenderias, sei que não entendes, o amor tem caminhos que nós próprios desconhecemos ou queremos ocultar!

Sempre me senti atraído por pessoas do mesmo sexo, mas com medo de ser colocado de parte, de ser gozado e apontado acabei por namorar, casar contigo, porque eras uma mulher meiga e doce; mas nunca fui feliz ... nunca me senti realizado e numa daquelas noites em que te dizia que ficava a trabalhar, não ficava ... ia até Lisboa para um bar gay e ali tinha relações ocasionais que me davam , isso sim o verdadeiro prazer ... e foi num desses locais que o conheci e me apaixonei ... e vi que tinha que assumir a minha verdadeira identidade, por isso decidi partir ...

Perdoa-me por tudo o que te fiz sofrer, perdoa-me pela mentira, perdoa-me pelas lágrimas que derramaste ... sei que não o merecias, mas nunca tive coragem para te dizer a verdade!

Dá um beijo aos nossos filhos, diz-lhes que peço perdão, explica-lhes a razão, já são homens penso que entenderão ...

Magda, a ti ... até sempre ... nunca te esquecerei ... não como amor ... não como mulher ... apenas como amiga ...

Até sempre ... perdoa-me!

 

José"

 

Eu e Isabella ficámos boquiabertas com a carta que tinhámos terminado de ler, Isabella chorava compulsivamente, a mim uma lágrima teimava a cair sobre a folha de papel amarelecida ...

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publicado por Ennoea às 18:09
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